OBJECTIVO: Investigar as manifestações da RM simples e ponderada em difusão (DWI) e da sua espetroscopia de protões de hidrogénio (1HMRS) após envenenamento por CO (COP) na sequência de uma explosão de gás. MATERIAIS E MÉTODOS: Foram efectuados exames de RMN GE 3.0T simples, DWI e 1HMRS em 15 doentes que desenvolveram sintomas após a explosão de gás, e sete dos doentes mais graves foram seguidos para revisão após tratamento. Resultados: Todos os 15 doentes apresentavam cefaleias, náuseas e tonturas; 7 doentes apresentavam perda de memória, juízo anormal, amnésia e défice cognitivo. A RM simples mostrou alterações cerebrais generalizadas, com a taxa mais elevada de anomalias nos núcleos pálido, concha e caudado das estruturas dos gânglios basais. Nos doentes menos sintomáticos, o inchaço do córtex cerebral foi a principal manifestação, com a DWI a mostrar áreas mais pronunciadas do que na radiografia simples. Na RMN 1H foram observadas ondas anormais de lactato (Lac) em todos os casos, com cinco casos a apresentarem redução do N-acetilaspartato (NAA) e aumento do rácio complexo colina/creatina (Cho/Cr) em alguns locais. O NAA, Cho/Cr e Lac normalizaram à medida que os sintomas clínicos melhoraram e o edema cerebral diminuiu, mas a recuperação foi mais lenta nas áreas onde o NAA e Cho estavam mais acentuadamente elevados. Conclusão: A ressonância magnética, a DWI e a MRS podem refletir as manifestações parenquimatosas cerebrais do envenenamento por CO na fase inicial. Nas fases iniciais da COP, a substância branca do cérebro é mais sensível à hipoxia do que a substância cinzenta, e a DWI reflecte as manifestações parenquimatosas mais precocemente do que a RM, ao passo que as alterações na região dos gânglios basais só aparecem nas fases mais avançadas da COP.