As análises ao sangue para diagnosticar verrugas não são fiáveis

  Não é invulgar ver chegar doentes com relatórios positivos de HPV provenientes de análises ao sangue, alguns mesmo de grandes hospitais, mas sem lesões de verrugas no exame físico clínico. Estes doentes são marcados como estando latentemente infectados pelos nossos médicos e mesmo tratados com agentes antivirais, pelo que é necessário clarificar os conceitos envolvidos.  O HPV é um vírus epidermófilo que infecta humanos principalmente através do contacto directo ou indirecto com objectos contaminados ou através da transmissão sexual. Após invadir o corpo, o vírus permanece na pele e nas mucosas no local da infecção e não produz viremia. No prazo de um a dois meses após o aparecimento da lesão infectada, são produzidos anticorpos no sangue contra o vírus infectado, altura em que se for feita uma análise ao sangue, o resultado será positivo e a taxa de positividade é de cerca de 50-90%. Contudo, este resultado positivo é apenas para os anticorpos, não para o vírus.  Existem mais de 200 tipos de HPV, que podem causar mais de 10 doenças, tais como verrugas planas, verrugas comuns, condiloma acuminado e outras condições. Uma pessoa média com uma verruga que tenha um teste sanguíneo para HPV é susceptível de ter um resultado positivo. No entanto, um resultado positivo não significa que a pessoa tenha uma DST ou condiloma. Portanto, uma análise ao sangue não pode verificar se uma pessoa tem verrugas e não há necessidade de as tratar.