Recebo frequentemente pacientes que vêm ter comigo e me dizem: “Doutor, queremos ter um bebé, vamos fazer FIV!” Não sei mesmo o que dizer quando me deparo com este tipo de pacientes. Em primeiro lugar, devemos compreender que a FIV não é apenas aquilo que se quer que seja. O nosso país tem regulamentos que não permitem a seleção do sexo, exceto no caso de algumas doenças hereditárias que exigem um diagnóstico pré-implantação. Em segundo lugar, a taxa de sucesso da FIV ainda não é de 100%, a média é de apenas 40-50%. Geralmente, na primeira vez, podem ser libertados dois embriões se a mulher tiver menos de 35 anos de idade e três embriões se a mulher tiver mais de 35 anos de idade ou se a primeira vez não tiver sido bem sucedida e a FIV for repetida. Por outras palavras, quase metade das pessoas que se submetem à FIV engravidam, seja com 3 embriões, 2 embriões ou 1 embrião, mas é claro que terão de ser reduzidos se estiverem grávidas de múltiplos. A restante metade não tem qualquer hipótese de conceber um único embrião. Por isso, não se pode esperar ter um bebé com gémeos através da FIV. Outro aspeto importante é o facto de existirem indicações para a FIV. As indicações para a FIV incluem o seguinte: 1. perturbações do transporte de gâmetas causadas por vários factores na mulher parceira: incluindo obstrução tubária bilateral, agenesia tubária, aderências pélvicas graves ou antecedentes de cirurgia tubária que resultem na perda da função tubária. 2) Perturbações da ovulação: perturbações da ovulação refractárias que não resultaram em gravidez após repetidos tratamentos convencionais da ovulação ou em combinação com técnicas de inseminação intra-uterina. 3) Endometriose: endometriose que conduz à infertilidade e que não foi tratada com medicação e/ou cirurgia convencionais e técnicas de inseminação intra-uterina. 4) Parceiro masculino com oligospermia, fraqueza ou malformação: infertilidade masculina com oligospermia, fraqueza ou malformação do parceiro masculino ou uma combinação de factores, em que a gravidez não foi conseguida após tratamento com técnicas de inseminação intra-uterina, ou em que a gravidade do fator masculino não é adequada para a inseminação intra-uterina. 5) Infertilidade imunológica: inseminação intra-uterina repetida ou outros tratamentos convencionais, mas sem gravidez. 6) Infertilidade inexplicada: inseminação intra-uterina repetida ou outros tratamentos convencionais, mas ainda sem gravidez. Para que a FIV possa ser efectuada, é necessário que se cumpra uma das condições acima referidas. Por conseguinte, é preferível conhecer as indicações para a FIV antes de se deslocar ao hospital, a fim de evitar brincadeiras.