Qual é o efeito da perfuração dos ovários na função de reserva ovariana em doentes com PCOS?

O método preferido de promoção da ovulação para pacientes inférteis com síndrome do ovário policístico (PCOS) é a utilização de clomifeno (CC), contudo, a cirurgia é um tratamento eficaz para pacientes com PCOS resistente ao clomifeno. A ressecção da cunha do ovário tem sido utilizada no tratamento da PCOS desde 1935, mas foi largamente substituída pela perfuração laparoscópica do ovário (LOD) devido aos efeitos secundários do procedimento invasivo e das aderências pélvicas pós-operatórias. Os resultados da LOD para pacientes com PCOS são bem reconhecidos, com taxas de ovulação até 80-90% e taxas de gravidez de 40%-60% relatadas. O LOD tem também outras vantagens, tais como ser eficaz na redução da incidência da síndrome de hiperestimulação ovariana (OHSS) e gravidezes múltiplas. Como resultado, o LOD é agora considerado um tratamento de segunda linha para pacientes com infertilidade PCOS. No entanto, desde que Dabirashra fi et al. relataram um caso de grave comprometimento da função ovariana devido ao LOD, o efeito do LOD na função ovariana tem sido cada vez mais preocupante. Após perfuração laparoscópica bilateral dos ovários, há uma ligeira diminuição da função de reserva ovariana em doentes com PCOS, mas isto não leva normalmente ao desenvolvimento de FOP. Devido ao excesso da função de reserva ovariana inerente às pacientes com PCOS, as pacientes ainda têm uma função de reserva ovariana superior à normal, mesmo após a LOD. A fim de evitar danos na função de reserva ovariana, deve-se ter o cuidado de proteger a função ovariana durante a LOD, minimizando o poder de perfuração, reduzindo o número de perfurações e encurtando o tempo de perfuração com base na garantia do efeito terapêutico, e considerando a utilização de técnicas menos destrutivas para o tecido ovariano. Os efeitos a longo prazo da LOD na função de reserva ovariana das doentes precisam de ser mais investigados.