A infertilidade envolve tanto homens como mulheres, pelo que as directrizes da Organização Mundial de Saúde (OMS) para a gestão da infertilidade recomendam que: o factor esperma do parceiro masculino é muito importante e deve ser sempre verificado em primeiro lugar. Clinicamente, recomendamos a verificação dos níveis de enzimas acrossómicas do esperma e da integridade do DNA espermático (isto é, taxa de fragmentação do DNA espermático) para além do exame de rotina do esperma para infertilidade durante 3 anos; alguns homens com oligospermia severa também necessitam de ter cromossoma periférico do sangue, microdelecção do cromossoma Y e testes endócrinos do soro. Para as mulheres, a avaliação da função ovulatória é o passo de diagnóstico mais importante; se existir um distúrbio menstrual claro na história menstrual, recomenda-se um diagnóstico definitivo e um tratamento direccionado o mais cedo possível, não sendo normalmente necessária uma avaliação adicional; menstruação regular, se a progesterona sérica exceder 10ng/ml no dia 7-8 após a ovulação é uma clara evidência objectiva da ovulação. Factores cervicais Produção anormal de muco cervical ou interacção anormal esperma/muco raramente é a única ou principal causa de infertilidade; o método tradicional de diagnóstico da infertilidade do factor cervical envolve a observação da contagem e viabilidade do espermatozóide por utilização pós-coital (PCT) pouco tempo antes do momento esperado da ovulação. Este teste é actualmente considerado altamente subjectivo, pouco reprodutível e não prevê a probabilidade de concepção, pelo que não está a ser recomendado para avaliação PCT em mulheres com infertilidade. Rastreio tubário A histerosalpingografia (HSG) utiliza contraste solúvel em água ou gordura e é o método tradicional e padrão de avaliação da patência tubária e tem algum benefício terapêutico; a HSG pode documentar a obstrução proximal e distal das trompas e pode também indicar a presença de atresia cística ou aderências peri-tubrais; se os resultados do teste sugerirem obstrução proximal das trompas, é necessária uma avaliação adicional para excluir a obstrução tubária/ Em mulheres inférteis com anovulação, sem gravidez após 3-6 ciclos menstruais de tratamento de indução de ovulação bem sucedido, a próxima etapa na avaliação diagnóstica deve ser empreendida; ou se tiver sido realizada uma avaliação completa, deve ser considerada uma mudança no regime de tratamento, por exemplo com promoção da ovulação + IUI ou entrada num procedimento de concepção assistida por FIV. Factores laparoscópicos Para mulheres com sintomas ou factores de risco ou anomalias sugeridos por ultra-sons do HSG, e sem outras indicações óbvias de ART (por exemplo, factores graves de infertilidade masculina), a laparoscopia é a melhor abordagem, tanto para o diagnóstico definitivo como para o tratamento microscópico de certas lesões.